Políticas Públicas: adesão, impacto social e evasão.

O desenvolvimento de poíticas públicas na área de esportes e lazer tem sido crescente no Brasil.

Embora a demanda neste setor seja grande, há que se desenvolver novos modelos de divulgação das ações para que a comunidade possa envolver-se efetivamente com as propostas apresentadas.

Neste sentido, estou em busca de conhecimentos no meio acadêmcio, de propostas que realmente se efetivaram e quais foram as estratégias usadas e/ou aplicadas ao longo da implantação, para a efetivação dos projetos e manutenção da política pública com o comprometimento das pessoas (comunidade) e das lideranças locais e beneficiários.

Diante das leituras já realizadas, é possível perceber a necessidade clara das propostas em relação ao “impacto social” que cada uma apresenta, permitindo que as possíveis taxas de evasão e abandono dos beneficiários não atinja valores tão baixos que inviabilizem a sua manutenção.

Independente da área em questão (saúde, educação, esporte, transporte, moradia) ficam as perguntas: qual é a taxa de evadidos em projetos de políticas públicas nos diferentes setores da sociedade? Há uma razão e/ou proporção de abandono aceitável? Quais estratégias podemos usar para o comprometimento de todos os beneficiários? quais são as características dos beneficiários efetivos?

 Os bastidores da Finlândia e os atalhos do Brasil – por Ronaldo Mota

No mês passado, em Londres, tive a oportunidade de participar, enquanto convidado da CISCO, da Exposição BETT (em inglês, “British Educational Training and Technology Show”). Ela é considerada, desde 1985, uma das mais importantes feiras na área de tecnologias na educação, atraindo algo em torno de 40 mil visitantes de mais de uma centena de países.
O Programa da delegação brasileira deste ano incluiu uma visita com palestras e debates no Institute of Education (IoE), classificado recentemente pelo “Times Higher Education Ranking” como a melhor instituição do mundo na área de educação. Professor David Scott do IoE, uma das maiores autoridades em teorias de aprendizagem e meu co-autor no livro “Educando para Inovação e Aprendizagem Independente”, argumentou à delegação brasileira que seria pouco recomendável ao Brasil definir suas estratégias educacionais na educação básica tendo como referência principal melhorar seus indicadores no PISA. A explicação dele para não exagerarmos na ênfase ao PISA tem a ver com o caso Finlândia e seus bastidores.
A Finlândia é sempre uma referência importante em educação. Pelo passado e mais recentemente pelo que está fazendo hoje ao se preparar para o futuro. A Finlândia entrou no século XXI liderando os resultados do PISA (Programa Internacional para a Avaliação de Estudantes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Curiosamente, desde então, tudo se passa como se a Finlândia, quase que propositalmente, caísse de forma sistemática no ranking. A grande percepção dos gestores da educação finlandesa foi suspeitar que o sucesso no PISA poderia, eventualmente, inibir mudanças no processo de aprendizagem, as quais eles sabiam ser urgentes e necessárias. Ou seja, a régua do PISA, provavelmente, mede melhor qualidades e expectativas do passado do que os predicados e exigências do futuro.
Em compasso com a radicalidade das transformações que se seguiram na Finlândia, progressivamente, ela foi ultrapassada por outros países (Cingapura, Hong Kong, Taiwan, Coréia do Sul e Japão). Ao tempo deste tempo, as escolas finlandesas foram adotando, ou se preparando para adotar, metodologias ativas que estimulam a aprendizagem independente. Para tanto, parte significativa das aulas tradicionais são substituídas pelo desenvolvimento de projetos temáticos nos quais os alunos refletem principalmente acerca do processo de aprendizagem em si.
Os formuladores de políticas educacionais e os docentes da Finlândia parecem saber melhor do que os demais países que a forma tradicional de educação, basicamente estruturada em aulas expositivas sobre disciplinas estanques, ainda que com um passado vitorioso, não mais prepara adequadamente as crianças e os jovens para o futuro. Ainda que as crianças possam ir bem no PISA, dado que o passado é compatível com as réguas adotadas, os desafios do futuro não parecem estar plenamente contemplados. A necessidade do desenvolvimento da capacidade de pensamento transdisciplinar, ou seja, olhar os mesmos problemas a partir de perspectivas e ferramentas diferentes, ao mesmo tempo que o educando aumenta a percepção acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende (metacognição, ou aprender a aprender), compõem as estruturas centrais da nova metodologia.
São mudanças complexas e que afetam a todos, em particular os professores, os quais passam a ter, relativamente, menos controle sobre os cursos, demandando que necessariamente eles trabalhem de forma colaborativa entre si e, especialmente, com seus alunos. Gradativamente, os mestres deixam de ter como atribuição principal as aulas expositivas (embora elas permaneçam em algum nível existindo) e, cada vez mais, se assemelham à figura de preceptores. Seja enquanto aqueles que acolhem e ajudam o educando a entender a si mesmo e refletir sobre sua própria aprendizagem, ou então aqueles que promovem a mentoria, especialmente conectando todas as disciplinas e conhecimentos fragmentados. Assim, cabe aos docentes atuar junto a seus alunos para extrair da multidisciplinaridade e das posturas metacognitivas os ingredientes principais para que eles possam aprender a resolver problemas e desenvolver projetos.
Em suma, olhemos para a frente, respeitemos as enormes diferenças de realidades, dado que, certamente, temos no Brasil muitas trilhas preliminares por cumprir ao mesmo tempo que temos que enfrentar complexidades similares às finlandesas. Porém, sem sabermos o que queremos para o futuro, a chance de errar por adotarmos remédios inadequados é muito alta. Felizmente, o Brasil tem sim atalhos possíveis e bons ingredientes. Precisamos saber, antes de mais nada, onde queremos chegar, conhecer bem outras experiências e definir, coletivamente, o quanto estamos dispostos a ousar.

Universidades brasileiras. Pobres financiando ricos…

A ideologia é bacana, educação gratuíta pra todos! Mas, pra quem olha os fatos, a história é outra. São pobres financiando ricos nas universidades brasileiras…  

Recentemente a UFRJ anunciou que precisa de R$ 140 milhões para não fechar as portas. A USP, por sua vez, deve terminar o ano de 2015 com um déficit de R$ 1 bilhão de reais¹. Afundadas em dívidas, a situação dessas duas universidades brasileiras fazem renascer o grande debate no Brasil. Cobrar ou não mensalidade de alunos de universidades públicas?

Um assunto extremamente polêmico e que, portanto, engloba pessoas com opiniões extremamente divergentes no meio dessa discussão.

Mas para termos uma ideia melhor de qual seria uma solução, ao invés de vivermos de ideologia infundada, uma boa estratégia é olhar o que é feito em outros países que são referência em educação. A vantagem de ser o segundo, terceiro, quarto lugar em alguma coisa é que se pode copiar aqueles que estão na sua frente. É rápido, eficiente e geralmente traz bons resultados. E com educação não é diferente….

Estados Unidos. Cada um é responsável pela sua dívida…

Na terra da liberdade, cada aluno paga para estudar nas universidades de elite. Nada é de graça. O aluno que entra no Massachussets Institute of Technology (MIT), por exemplo, tem que arcar com o custo de US$ 40 mil ao ano, ou seja, aproximadamente R$ 650 mil reais por uma graduação de 4 anos.

É um valor extremamente alto, não é mesmo? A pergunta natural que parece surgir disso é: e quem não tem condições de arcar com os custos? Bom, para quem não tiver condições, existem os financiamentos estudantis. Com taxas praticamente nulas de juros, o estudante pode pegar um financiamento e arcar com os custos da universidade durante esse período.

Mas na Terra do Tio Sam, não importa o que acontecer, você tem que quitar a sua dívida. É uma cultura de responsabilidade na qual: “sim, você teve a oportunidade de estudar em uma das melhores universidades do mundo, mas agora você tem que encontrar uma maneira de pagar pelo que recebeu”.

E por que parece razoável fazer uma dívida de US$ 160 mil dólares?

Embora alguns argumentem que os Estados Unidos não seja tão meritocrático assim e venha com aquele papo filosófico, o que os dados mostram é que o retorno sobre o investimento em educação é altíssimo. Em média os alunos do California Institute of Technology (Caltech), por exemplo, recebem US$ 1,029 milhão em 20 anos de trabalho. No caso do MIT, o retorno é de U$$943 mil². Em resumo, o americano que vai pra universidade sabe que não importa de onde ele venha, qual seja o seu sobrenome, ou a sua cor de pele, ele pode entrar em uma universidade de ponta e vai conseguir financiá-la.

Desnecessário dizer que das 10 universidades do mundo, 8 são americanas**.

Inglaterra. Ricos financiando pobres…

A Inglaterra tem um sistema semelhante. Lá, assim como nos Estados Unidos, nada é gratuito. O aluno tem que pagar pelo curso aproximadamente 9 mil libras ao ano, o que para um curso de 4 anos, totalizaria cerca de R$ 200 mil reais.

Apesar da semelhança entre Inglaterra e Estados Unidos, há uma diferença. Na Inglaterra, você também tem direito a um financiamento estudantil. Porém se você está abaixo de uma determinada renda você não precisa pagar esse financiamento depois. Ou seja, se você tem condições de pagar então você paga, se você não tem, a sua dívida é zerada.

Em outras palavras, as pessoas de maior poder aquisitivo acabam financiando os estudos daqueles de poder aquisitivo menor. Esse é um sistema que no longo prazo permite que as pessoas possam ter as mesmas oportunidades.

 
Brasil. Pobres financiando ricos…

E o Brasil, onde fica nisso tudo? No Brasil optou-se por um ensino superior “gratuito”.

Isso é maravilhoso, não é mesmo? Ainda mais para aqueles que vivem do discurso gracioso de que “educação é um direito e deve ser de graça”.

A questão é que, como todo discurso carregado de ideologia, ele peca em uma coisa: analisar os fatos e a situação real.

A começar pelo gratuito entre aspas, pois cada vez mais (felizmente) o brasileiro começa a entender que não é gratuito. Que “não existe essa tal coisa de dinheiro público”. O custo de um aluno na USP por exemplo é de R$ 50 mil reais ao ano*. Mas ao invés dos brasileiros pagarem diretamente à universidade, a população paga indiretamente todos os dias através de impostos, impostos e mais impostos.

Mas esse é o menor dos problemas. O problema é como se organiza o sistema de ensino superior brasileiro.

O Brasil possui um incrível déficit educacional no ensino superior. E o que acontece? Somente alguns podem entrar na universidade pública. Do total de 7 milhões de matrículas em 2011, apenas 27% vão para universidade pública.

E quem entra nas universidades públicas?

Bom, aqueles que tiveram um ensino básico de maior qualidade. Que, no caso do Brasil, todos sabem, é particular. Ou seja, são as pessoas de maior poder aquisitivo que puderam ter um ensino básico de qualidade e por consequências são as que vão entrar na universidade pública.Esqueça aquela história do seu amigo, filho de pedreiro que conseguiu passar em primeiro em medicina da USP. Ela é ótima como inspiração pessoal. Mas política pública não se faz com pontos fora da curva e sim com a grande massa da população. E sinto muito, mas a massa da população não é o amigo filho de pedreiro que estudava entre um farol e outro e passou em primeiro lugar na USP.

Dito isso, serão justamente aqueles que poderiam pagar pelo ensino superior que vão parar nas universidades “gratuitas”. E os que não possuem condições? Bom, esses, além de terem pago os impostos para financiar uma universidade da qual não vão usufruir, ainda vão ter que pagar pela universidade privada. Resumindo, o discurso de ensino gratuito é maravilhoso, mas na prática o que acontece são os pobres financiando ricos…

Solução? Qualquer coisa é melhor do jeito que está…

Dentre os dois, acreditamos que o o modelo inglês é o melhor, basicamente por dois grandes motivos:

O primeiro motivo é que a taxa de juros no Brasil é muito alta. Com juros a 15% ao ano em média, em 5 anos a dívida praticamente dobraria. O que é bem diferente dos Estados Unidos, por exemplo, com juros extremamente baixos. Ou seja, a probabilidade de alguém não pagar aqui por não ter condições financeiras seria extremamente grande…

O segundo motivo, e talvez mais importante, é que a desigualdade no Brasil é extremamente alta e, portanto, faz sentido um modelo em que os ricos financiam os estudos dos mais pobres a fim de reduzir a desigualdade de maneira mais rápida.

Pode haver ainda um debate de qual modelo seria realmente melhor para o Brasil: o americano ou o inglês. E obviamente é uma discussão que poderíamos entrar. O que não se pode aceitar, no entanto, é que o sistema atual brasileiro continue como está, com pobres financiando ricos.

Autor:  Leonardo Siqueira  – Fonte:  http://bit.ly/1QaMllM 

* http://www.shanghairanking.com/pt/ARWU2015.html

** Se dividirmos o orçamento de 2015 de R$4,62 bilhões pelo número de 95 mil alunos, ambos informações públicas. Alguns poderiam dizer que essa medida é muito simplista etc; porém o fato aqui é para chamar atenção que o ensino não é gratuito, pelo contrário, é o cidadão que está pagando esses R$4,62 bilhões.